O emocionante do carnaval é quando vingam as histórias de amor depois da folia. Apesar de o mundo dizer o contrário nessa época do ano, uma vez romântica, sempre romântica, fazer o quê?Convenhamos,
a ideia de que “ninguém é de ninguém” já começa um pouquinho antes dos
dias de festa, o clima eufórico está presente nas semanas quentes de
verão regadas a caipirinha e samba alto.
É
só sobre o hedonismo que escutamos quando os blocos saem e a cachaça, o
suor e a serpentina tomam conta das ruas. É carnaval... “Amor sem
compromisso.”
Mas
é preciso dizer que, entre o “vem ni mim que eu to facinho” e a ressaca
dos confetes... “Hum… daqui poderia nascer algo a mais”. Ou não? Existe
espaço para um amor no carnaval? Ou relacionamentos duradouros só
começam com as águas de março?
Cada
um, escondido em seus adereços e fantasias, deixa sair o bufão que
existe dentro de si. No bloco na Vila Madalena, mulheres adultas
brincavam de atirar água e espuma, umas nas outras, como se fossem
crianças. Leves e alegres. Será que, como Chico disse, as pessoas
“desatinam” quando a brincadeira acaba e “toda cidade anda esquecida da
falsa vida da avenida”? Não sei. Mas que é bonito quando um amor vinga
no carnaval, é. Conheço um casal muito lindo e querido que se conheceu
no meio da folia. Ela dizia “imagina que ele vai me ligar”; e ele pensou
“imagina que ela vai se lembrar de mim”. Aí… que ele ligou. E ela se
lembrou. E, este ano, eles levaram a Isabela, de 6 meses de idade, a seu
primeiro bloco de carnaval.
As
batidas do bloco de samba ou batuque de axé viraram uma macia
bossa-nova. As fantasias estão no porta-retrato na sala de estar.
A bebedeira e a intensidade daquele carnaval deram espaço para a calmaria... Os dois mascarados viraram namorados.
Anthony
Anthony